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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

A Rita no supermercado

Entrar no supermercado começa com o pensamento: "vou SÓ buscar isto, isto e aquilo" e depois começa a saga:

 

- Andar às voltinhas, a passear, porque é giro;

- Procurar bananas: onde é que estão as bananas? Como assim não há bananas neste sítio?

- Não desistir de encontrar as bananas: andar às voltinhas em toda a zona de fruta;

- Bem não se encontram as bananas, logo podemos ir para a caixa;

- Mas antes temos de passar pela zona saudável;

- Ficar mais 10 minutos a olhar para as coisas;

- Pegar em três ou quatro coisas porque o saudável calha sempre bem;

- Mas depois deixar tudo na prateleira;

- Quer dizer, umas tortilhas de milho fazem sempre falta (e toca a pôr as tortilhas no cesto);

- Agora sim vamos para a caixa;

 

Espera, vamos voltar...Porque eu posso não ter visto bem as bananas

- Voltamos mas as bananas não apareceram por milagre (por acaso alguém sabe do milagre da multiplicação das bananas? Preciso disso!);

- E estamos na caixa à espera;

- E já que estamos à espera abrimos a carteira;

 

UPS! Abrimos a carteira e não há o cartão.

- COMO ASSIM NÃO HÁ CARTÃO?

- ONDE ESTÁ O CARTÃO?

- Como assim deixei cartão em casa?

- Como é que vou pagar as compras?

 

Bem vamos ter de deixar as compras. Mas é domingo à tarde e um ser humano como eu não consegue viver sem queijo. Sim, porque mais importante que as bananas que não levámos só mesmo o queijo.

Começa-se a desenhar um plano mirabolante na cabeça: e se fosse a casa buscar o cartão? Eish mas assim tinha de fazer as compras todas de novo... mas e se eu deixasse o cestinho num sítio? Ninguém ia notar!

 

Assim, escondemos o cestinho num corredor e voltamos para casa, a pé, porque estamos tãaaao relaxadas, temos toooodo o tempo do mundo;

- E vamos buscar uma amiga porque para a parvoíce é sempre bom ter companhia;

- Pegamos no carro e voltamos ao continente;

- Mas antes bora passar pelo Celeiro para buscar chocolates;

- Voltamos ao Continente e............o cestinho está lá, com todas as compras (gé-ni-o, eu sou um gé-ni-o);

- Agora é só ir para a caixa, não é?

 

(Mas a caminho da caixa...)

- Epá, porra, mas como é que não há bananas? Tipo há bananas o ano inteiro! Como é que quando eu preciso de bananas elas não existem?

- Dar mais voltinhas à zona da fruta - mas já agora levo tomates;

- AGORA SIM VAMOS PARA A CAIXA!

- Geez, onde é que eu meti o cesto?

- Ah, lá está ele, bora lá, siga que já deve ser meia-noite;

- Ir pelo meio dos congelados e, já agora, abrir uma arca e levar brócolos;

- "Oh, Rita, tens de fechar a arca antes de ires né?" Vêem porque é que eu trago companhia? Dá sempre jeito!

- Estar na caixa, passar tudo muito rápido, meter no saco;

- Merda, esqueci-me de pesar os tomates;

- Correr para pesar os tomates;

- Correr para a caixa;

- Passar tudo, passar o cartão, por tudo no saco que não cabe;

- Sair do continente com a chave do carro ao pescoço e com um quilo de bróculos congelados debaixo do braço.

 

Eu sei o que devem estar a pensar, meus caros, mas as conclusões são simples: nunca se esqueçam de pesar os tomates e o mito das bananas o ano inteiro é a mais pura das mentiras. Ah e nunca percam o carrinho (ou o cartão).

 

Viver no bairro

Viver num bairro é como viver numa aldeia: todos se conhecem, todos têm os mesmos hábitos, todos fazem aquilo que lhes apetece porque é tudo muito seguro.

 

No meu bairrito, acontece-me de tudo, faço maluqueiras e parvoíces e nada me acontece...acham que não? Então vejam só o que me aconteceu no outro dia.

 

Fui ter com uma amiga, estacionei o carro à porta da casa dela (300m ao lado da minha), fui jantar a casa dela e depois não me apetecia pegar no carro para pô-lo na outra ponta do bairro. Então lá ficou ele.

No domingo, de manhã, preciso de ir às compras. Vou buscar o carro mas uma carrinha branca está a travá-lo. Pronto, vou só buscar o carro depois das compras.

Vou ao supermercado, encho o carrinho, estou no talho a fazer as últimas compras quando me lembro: "porra, deixei a carteira no carro!".

O que fazer? Vou-me embora assim do nada?

Sorrateiramente (mais a correr com cara de parva no supermercado), deixo o carrinho com as compras num canto, volto ao carro, tiro o carro, estaciono no centro.

Ao passar as portas de entrada lembro-me: "eish, tenho de ir buscar pão".

Passo à frente do supermercado, vou à padaria na outra ponta do centro buscar pão, entro no supermercado e o carrinho está intacto! Vou ao talho, vou para a caixa, pago tudo e vou toda feliz para o carro.

E chego ao carro e tenho uma multa da Loures Parque de 4 euros porque não coloquei parquímetro (mas é que nem em Lisboa se paga ao domingo!). E cheguei 5 minutos depois de me passarem a multa.

 

É assim a vida rebelde que se tem no bairro: deixa-se o carro ao pé do prédio dos outros, deixa-se as compras no supermercado, deixa-se o carro sem parquímetro. Porque quando vives no bairro, a única coisa de grave que acontece é quando alguém espirra.