Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

A fazer a mala de viagem

Viagens, viagens, viagens: é tão bom viajar! Por aqui fazem-se uns quantos fins-de-semana fora, na cidade ou no campo, mas desta vez vamos à séria: vamos 6 dias e vamos de avião!

 

Óbvio que o entusiasmo é total. Vamos de viaaaaagemmmmm! Conhecer pessoas, novos lugares, novas cervejas, novos menus no McDonalds, novas línguas, novas temperaturas, novas modas, sei lá é taaaao bom passear.

Mas há um grande problema em qualquer viagem - o fazer a mala. É que eu não percebo nada de malas de viagem. Eu sou péssima a fazer malas de viagem, é um perfeito dilema para mim.

 

Vamos 6 dias: então leva-se roupa para 6 dias ou para 4 e depois repete-se?

Levo dois pares de calças ou levo três para escolher?

Ténis para passear, claro, mas e se formos sair à noite? Uns saltos altos ou umas botas rasas?

E casacos? É preciso levar casacos? A Primavera deles é tipo a nossa ou tipo Alásca?

Posso levar tops de alças e um casacão de inverno ou posso confiar que a Primavera é igual para todos?

Levo mochila para passear? E a mala para sair à noite?

Quantas bases posso levar? Duas é demais?

Levo o dobro das meias ou o triplo?

Durmo de pijama de verão ou de Inverno? É que não sei se as camas têm bons cobertores.

E se for preciso levar saco de cama?

 

São imensas questões, não são? É super divertido arrumar e escolher roupa quando não se tem jeito nenhum para a coisa né? Quer dizer, eu sei escolher roupa, eu tenho um estilo impéc mas como é que eu posso só levar 1/10 do meu armário? É que não posso voltar para trás e escolher outra roupa. E se eu levo calças de ganga e num dia acordo e apetece-me andar chique? E se eu levo sabrinas e apetece-me andar de botas? Como é que se resolve isto?

 

Depois de muito pensar, de retirar o armário todo cá para fora, de criar montinhos e montinhos em cima da cama eu activo o Plano J:

"JOAAAAAAAANA, PODES FAZER-ME A MALA PARA LEVAR?"

 

A mana aparece, vê os montinhos, pega peça a peça e pergunta "vais levar isto? não queres levar aquilo?" e eu sentadinha a beber chá em cima da cama a dizer que sim ou não. 20 minutos depois a mala está fechada, cheia, com um espaçinho para uma coisa ou outra e voilá.

 

Juro que um dia vou ser mais adulta, mais independente, mais sábia - mas eu nunca vou conseguir fazer uma mala de viagem de jeito.

 

A saga das compras

Ah a Black Friday, ah o Natal, ah vamos às compras todos os dias porque nos apetece e tudo está com desconto e tudo é lindo.

Ah como era bom se isto tudo fosse verdade, porque meter-me num centro comercial nestas semanas devia ser o maior prazer da vida mas é uma tortura.

Mete-se a pata no local e sorrimos: agora sim, vamos começar a divertirmo-nos. E começamos o processo de compras.

 

Fase 1: leva-se tudo

Entramos na primeira loja e parece o Mundo Encantado dos Brinquedos, perfeito para princesas. Passamos então ao ataque e entramos no pesadelo. OH MEU DEUS, quero levar tudo: quero aquilo, aquilo de que preciso, aquilo de que preciso em doze cores, aquilo que tenho sete peças iguais no armário, aquilo que nunca utilizei na vida, aquilo de que eu não gosto, aquilo de que eu nunca vou gostar, aquilo naquela cor horrível que eu detesto. Não interessa se só existe o XXXL ou o XXS, eu quero levar tudo, eu vou levar tudo.

 

Fase 2: olhar para a carteira

Com tanta maravilha para os olhos começamos a olhar para a carteira: beeem, tudo, tudo, não pode ser, mas há algumas coisas que podemos levar, certo? Olhamos para o relógio, temos de nos despachar, as pessoas vão começar a levar tudo portanto esta é a hora de atacar. Pensamos mentalmente nas peças de que precisamos e daquelas que gostávamos de experimentar. E lá vamos nós.

 

Fase 3: tudo vale

Agora é a altura de pôr tudo nas mãos: Camisola branca? check. Casaco de inverno? Check. Botas altas, botas curtas, check, tshirts que podem dar jeito no próximo verão check, check check check. E siga para os provadores, mas na fila lembramo-nos: só podemos levar 8 peças. E implementa-se a estratégia do o que-se-experimenta-e-o-que-se-leva-para-experimentar. E o resto? O resto vai para o provador lá de casa não tem limite logo algumas peças experimentam-se em casa e outras na loja. E se não gostar? 30 dias para devolver - e esta é a maravilha do capitalismo ocidental europeu, meus caros, aproveitem.

 

Fase 4: ficar horas no provador

E agora sim começa a diversão...se as coisas corressem bem...

Ui isto não me fica bem...mas é com estas calças e se for com as calças que trouxe?

E um vestido? Se calhar preciso de ir buscar um vestido...

Ah raios preciso de um básico a ver como é que fica isto...

Será que isto fica bem com aquele colete que eu não uso há dois anos? Nunca se sabe...

Eu tenho mais tshirts pretas ou brancas? Quantos pares de calças é que tenho? Estas estão com desconto mas tem de ser o tamanho acima...

Entramos e saímos dos provadores, trocamos peças que as meninas dos provadores estão a arrumar, pedimos para nos ir buscar o tamanho acima e abaixo só para comparar.

Meia hora depois, de vestir e despir as mesmas peças dez vezes, de combinar e descombnar, cheia de calor, com os cabelos em pé e farta de olhar para o espelho, temos umas 4 peças para levar.

 

Fase 5: a consciência acorda

Lá vamos nós, a sair do provador, com quatro peças na mão, com sorte uma delas é o que realmente fomos comprar e o resto é o que se apanhou.

Estamos quase, só falta a caixa. Mas o problema é que na caixa se demora muito tempo e ficamos muito tempo a olhar para as peças...

as peças que nós vamos comprar...

as peças que são nada do que nós queríamos...

as peças que não são maravilhosas...

E começam as dúvidas...

Será que levo isto?

Será que quero mesmo isto? Bah, isto não está assim tão barato quanto eu pensava.

 

De repente entramos na fase 6...o cérebro começa a funcionar, a consciência aparece, o racionalismo intervém e pensamos "para que vou gastar dinheiro nisto se já tenho isto tudo?"

E entramos na fase 7: olhamos para o lado, saímos da fila, deixamos tudo na primeira prateleira e vamos embora.

 

A tristeza de um dia de compras que não foi.

A tristeza de um sonho perfeito que ficou arruinado porque não há nada de jeito.

A tristeza de uma paixão que não se concretizou porque não se encontrou a cara metade perfeita.

A tristeza de uma manhã passada à procura de algo quando o que se realmente queria era que nos oferecessem uma mala Chanel para ficarmos com a vida feita.

 

Ai ai

 

Tanto se experimentou mas não se gostou de nada.

Mas não aceitamos a derrota! Vamos encontrar algo de jeito.

Saímos da loja, entramos na próxima mas nada parece o mesmo. As compras já não são cor-de-rosa, as botas já não brilham, os cachecóis parecem mantas de retalho, as malas parecem sacos de pano.

Mas continuamos à procura, à procura, à procura...até que paramos, abrimos os olhos e lembramo-nos:

"Posso sempre comprar um McFlurry!"

 

E lá vamos nós, antes de almoço, a correr para o McDonalds afogar as mágoas num gelado, porque um gelado cheio de calorias deixa-nos ricos e prontos para enfrentar um dia com roupas tão demodé que até uma pessoa mal vestida iria olhar-nos de esguelha.

 

Gostar de compras não é fácil, fica aqui escrito, a desforra está para vir.