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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

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7 Regras para se ser um turista a sério

Eu sou uma pessoa de factos e teorias científicas altamente comprovadas pela minha própria pessoa e testadas somente na minha experiência. E com a minha mais recente visita ao Porto, consegui finalmente teorizar como se deve ser um bom turista.

 

A primeira coisa que devem saber é que o meu método é universal: pode ser usado em qualquer cidade do mundo e dá para qualquer pessoa. Se acham que é um plano demasiado rigoroso, temos pena, vocês não são turistas profissionais e são uma vergonha para esta mui nobre profissão. Deixem-se de fitas e façam o plano e vão ver como se vão sentir mais confiantes e determinados em explorar este e outro mundo.

 

Regra número 1: preparar o estaminé, que inclui mochila, carteira, máquina fotográfica, garrafa de água, guarda-chuva. Se quiserem ainda uns snacks, tudo bem, mas mais vale ficar à mercê da comida da cidade e destruir a conta bancária na rua.

 

Regra número 2: fazer uma lista de sítios a visitar, mas com a atitude de que pelo meio já não se vai visitar nada. Toda a cidade consume o turista e no segundo dia já nos perdemos. Mas não tem mal, é tudo parte da experiência.

 

Regra número 3: tirar fotos é como os chineses: carregar no botão e disparar para todos os lados, cima, baixo, céu, tecto, chão, cave, pomba, pato, lagartixa...toda a foto é uma boa foto!

 

Dou a dica de não esquecer de tirar fotos com o telemóvel para se poder postar logo no Instagram - mas não é para postar LOGO! Há sempre uma foto melhor do que a a seguir e, por isso, na pausa do almoço, deve-se escolher a fotografia a postar. E nada de saturar o feed, já meio mundo sabe que estamos naquela cidade e nem toda a gente tem de saber todo o quilómetro quadrado que pisamos. Deve-se postar para os outros ficarem com inveja mas curiosos para saber mais - é o equilíbrio perfeito.

 

Regra número 4: Se é para ser turista a sério é para ter a mente aberta: está ali uma igreja? E ao lado outra igreja? e um museu? e um jardim? e uma loja de flores? e uma outra igreja? e uma outra praça? e um restaurante com coisas típicas? E isto e aquilo? Meus caros, é para fazer tudo!

É para ir ao museu e ver as peças todas em todos os pisos; é para ver a igreja e ver as figurinhas todas; é para ir ao jardim e ler as placas com todas as espécies de flores lá metidas. Se for para visitar Portugal, podem deixar algumas coisas para outros fins-de-semana, que uma segunda visita pode ser planeada com mais cuidado e ser melhor do que a primeira vez. Agora se vão para as Malásias e as Tailândias desta vida, por favor, fiquem acordados das 6 da manhã até às 2 da madrugada, para aproveitar dia, noite, sol, chuva, estrelas, candeeiros de rua. As cidades demoram anos a serem construídas mas nós só temos 5 dias para ver tudo. 

 

Regra número 5: mapas são coisas do passado. Há smartphones, há GPS, há Google Maps. Se o telemóvel decidiu ser estúpido sigam o método dos animais. Sigam a manada, principalmente a que tem europeus ricos, que andam com os livros, ou os simples chineses, que estão todos em linha. Eles sabem para onde vão e nós vamos com eles.

 

Regra número 6: saber onde é o MacDonalds é importante mas só em caso de SOS. Os primeiros 3 kilos que vamos engordar devem ser de origem gastronómica tradicional da cidade e o restante deve ser cafeína, talvez do Starbucks. Se as ofertas gastronómicas não forem nada atractivas, podemos engordar até 4 quilos e só podemos consumir um kilo de Nuggets. Nuggets é refeição, não é para petiscar, por isso não abusem.

 

Regra número 7: transportes públicos com muita moderação e táxis só para se sair à noite. De resto faz-se tudo a pé. Dá para conhecer as lojinhas, a comida de rua, os pombinhos, tudo. E deixem-se de mariquices. Tou-me a cagar se Londres é dez vezes maior que Amesterdão: andar faz bem e ter bolhas nos pés é sinal de riqueza no futuro, como manda a sina. Liguem as pilhas e ponham-se a andar.

 

Este é o guia de principiante. Devem seguir todas estas regras de forma religiosa nas vossas primeiras dez viagens. Depois, podem adaptar os vossos próprios planos mas vão perceber que o meu plano é infalível e nunca mais na vida se vão perder. Palavra de turista profissional!

A Tua Cara Não Me É Estranha

Há uma doença que está a afectar as pessoas que me rodeiam e eu já estou a começar a ficar preocupada com a situação. Mas vamos começar pelos factos.

 

Quando pensaram na minha criação, um ser superior decidiu dar-me bastante inteligência para lidar com as parvoíces deste mundo mas até que foi simpático em dar-me uma cara também jeitosa. Redondinha, pequenina, com um sinalzão na bochecha...sou uma fofura, pronto!

O que essa entidade se esqueceu de me avisar é que, quando começar a conhecer muitas pessoas, vou sofrer do Síndrome do Reconhecimento Familiar - ou como eu gosto de chamar, o Síndrome Eu-Conheço-te-De-Algum-Lado.

 

Depois de uma adolescência pacata a não conhecer pessoas parecidas comigo, até achava que ia passar o resto da minha vida com uma cara simples mas única, dentro do possível. Mas não. Agora conheço pessoas pela primeira vez e depois do Olá vem a tirada: "a tua cara não me estranha" ou "eu conheço-te de algum lado".

 

À primeira vez tem piada mas à segunda começo a suspeitar.

 

Mas eu ando a aparecer na televisão e ninguém me diz nada? É que é preciso pagar direitos de imagem.

 

Será que tenho uma irmã gémea a passear por aí? Mais valia ter aparecido há uns dez anos atrás, para fazermos aquelas trocas de identidade na escola.

 

Será que alguém se está a fazer passar por mim para me incriminar de algo? Espero bem que seja a Emma Stone, para podermos trocar de vidas.

 

Será que sou a reencarnação de alguma estrela de cinema? Já que estamos a congeminar, pode ser a Audrey Hepburn?

 

Será que ando nos sonhos de toda a gente, tipo Casperzinho? A minha carinha até ficava bem de fantasminha cor-de-rosa.

 

Mas o que é que eu posso fazer relação a isto?

Mudo de cara e espero que não faça lembrar ninguém? 

Enfio-me num buraco e espero que esta doença passe e o mundo me esqueça?

Ou começo a inventar histórias do género: "sim, conhecemo-nos nos Globos de Ouro o ano passado, eu estava com aquele vestido da Fátima Lopes, não se lembra?"

 

Este caso não está encerrado e eu não vou desistir até encontrar uma explicação. E conselho de amiga, fiquem alertas porque pode afectar-vos!!