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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Viver no bairro

Viver num bairro é como viver numa aldeia: todos se conhecem, todos têm os mesmos hábitos, todos fazem aquilo que lhes apetece porque é tudo muito seguro.

 

No meu bairrito, acontece-me de tudo, faço maluqueiras e parvoíces e nada me acontece...acham que não? Então vejam só o que me aconteceu no outro dia.

 

Fui ter com uma amiga, estacionei o carro à porta da casa dela (300m ao lado da minha), fui jantar a casa dela e depois não me apetecia pegar no carro para pô-lo na outra ponta do bairro. Então lá ficou ele.

No domingo, de manhã, preciso de ir às compras. Vou buscar o carro mas uma carrinha branca está a travá-lo. Pronto, vou só buscar o carro depois das compras.

Vou ao supermercado, encho o carrinho, estou no talho a fazer as últimas compras quando me lembro: "porra, deixei a carteira no carro!".

O que fazer? Vou-me embora assim do nada?

Sorrateiramente (mais a correr com cara de parva no supermercado), deixo o carrinho com as compras num canto, volto ao carro, tiro o carro, estaciono no centro.

Ao passar as portas de entrada lembro-me: "eish, tenho de ir buscar pão".

Passo à frente do supermercado, vou à padaria na outra ponta do centro buscar pão, entro no supermercado e o carrinho está intacto! Vou ao talho, vou para a caixa, pago tudo e vou toda feliz para o carro.

E chego ao carro e tenho uma multa da Loures Parque de 4 euros porque não coloquei parquímetro (mas é que nem em Lisboa se paga ao domingo!). E cheguei 5 minutos depois de me passarem a multa.

 

É assim a vida rebelde que se tem no bairro: deixa-se o carro ao pé do prédio dos outros, deixa-se as compras no supermercado, deixa-se o carro sem parquímetro. Porque quando vives no bairro, a única coisa de grave que acontece é quando alguém espirra.

Crianças Felizes

disney

"Ah pá porra esqueci-me que hoje era dia da criança e não escrevi nada sobre o assunto"

 

É que isto de ter um blogue não é só escrevermos aquilo que a gente quer. Às vezes, fica bem assinalar datas importates. E ainda por cima o dia dedicado às crianças, aos bebés que só têm um mês e são horríveis, aos inocentes que te enchem de baba e ranho, aos pestinhas que se infiltram na tua casa e te desarrumam tudo, aos hiperactivos que acham que as melhores alturas para se fazer barulho é às sete da manhã e às onze da noite, aos simpáticos que adoram chorar ao teu ouvido, aos curiosos que só sabem dizer porquê cinquenta vezes de seguida, aos que têm o talento nato de fazerem birra que só dura dois minutos, aos megalómanos que querem a PS6 quando acabou de sair a PS5, aos miúdos mais velhos com cabelo à fodasse com a mania que são espertos, às miúdas loiraças que já fazem a manicure para sairem à noite. Ai a inveja que eu tenho dessas criaturas que só têm uma obrigação na vida: divertirem-se.

 

O ser humano é mesmo assim, insatisfeito: quando somos crianças queremos ser crescidos, quando já somos crescidos, queremos ser crianças. Mas eu também não me posso queixar muito, eu ainda sou jovem e mesmo que não fosse, os disparates que eu faço parecem de uma criança de sete anos. Entornar cervejas, bater com os pés no canto da cama, deixar cair cereais no chão, sujar o microondas, deixar a carteira em casa, queimar-me no ferro de engomar (e no isqueiro do carro), arrancar peles dos dedos, deixar o cartão de débito no carro ao sol, conduzir com a tampa do depósito de gasolina aberto, enfim, as aventuras são tantas que a minha idade é só real no Cartão de Cidadão.

 

Eu até poderia argumentar que este dia é meu e que eu tenho todo o direito de o celebrar mas estava a mentir, porque todos os dias são dias da criança para mim. Todos os dias são dias de fazer algum disparate e alguém vai dizer "epá oh Rita, tá quieta, só fazes porcaria". Eles bem têm pena de já não puderem por-me de castigo a um canto por isso a única alternativa é deixar-me à solta e rezar para que eu não bata com a cabeça nas paragens de autocarro ou me aleije nas portas de vidro dos restaurantes. Talvez um dia cresça e me torne adulta mas estou a fazer figas para que isso não aconteça tão cedo. A única vantagem de ser adulta é que seria menos parva e teria menos nódoas negras, mas não se pode ter tudo na vida.

 

Feliz Dia da Criança, desde 1992.