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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a sério e outras expressões

amaralrita, 18.05.15

Já perceberam que este blog tem todo um tipo de particulares, a começar pelo título.

É suposto este espaço ser um blogue bastante sério e, por isso, quando estamos a escrever um texto sério como vá, uma tese de mestrado, devemos recorrer a algumas expressões clichés mas que são próprias da disciplina teórica que estudamos. Estes clichés são designados de conceitos teóricos basilares de qualquer reflexão ponderada de qualquer assunto do quotidiano.

 

Como vocês sabem, eu sou uma pessoa séria e, como tal, tenho uma excelente capacidade de falar rápido e atropelar as minhas próprias palavras. A minha mãe sempre chamou a este meu dom de inteligência trapalhice porque eu dou imenso pontapés no Português. Quer dizer, eu não dou pontapés, eu esmago, desmembro, espanco, esfaqueio, atropelo o Português, salto-lhe para cima à lá Karate Kid e ainda digo que sou licenciada em Jornalismo.

Mas o que as pessoas não compreendem é que o meu dom ajuda-me na minha "profissão", para discutir temas sérios e defender pontos de vista com argumentos sólidos e bens construídos. Porque quando se discute assuntos sérios de forma parva, temos de ter em atenção à invalidade do argumento: quanto mais estúpido soar, melhor.

 

Por isso, vou espalhar o meu dom pelo mundo e dar-vos uma lista de expressões importantíssimas a serem utilizadas no dia-a-dia, para mostrarem aos vossos amigos o quão magnífico é o vosso intelecto:

 

Agora a sério: é uma expressão de introdução ao tema, chama pelo interlocutor a levar-te a sério a partir daquele momento. É uma super arma esta expressão, pois indica ao outro que tu estás mesmo a falar a sério (como eu 90% das vezes não digo nada de jeito, quando quero que me oiçam, digo isto, mas tudo o que eu digo vale a pena, ok?)

 

Eu vou-te explicar: mais uma vez, puxa pela atenção do interlocutor, levando-o a crer que vais explicar o funcionamento de uma bomba atómica mas vais apenas dizer que só comes McMenus de Nuggets porque o pão dos hamburgueres não é bom. Não vais explicar nada em concreto mas dizes à mesma porque, lá está, é aquele momento raro em que te estás a dar ao trabalho de falar a sério, logo tens de o celebrar com uma boa introdução.

 

Tipo: eu sou pior que os anglo-saxónicos a dizer like. Quando confundi o horário de trabalho de uma amiga minha e ela reclama que me disse isso ontem, eu podia apenas ter dito "desculpa, não me lembrei". Mas não é muito mais bonito dizer "tipo dormi só seis horas e estou com dores de cabeça". É uma maneira elaborada de dizer uma expressão sem graça. E se forem como eu abusem dela à vontade, depois ganham o tique e parece que já não sabem falar.

 

Pseudo: esta é a palavra mais poderosa do mundo. Como a realidade não é real (quem entender a referência, ganha uma gelatina), tudo na vida é apenas uma pequena aproximação do real, logo tudo é um estado de pseudo. A minha irmã não é minha irmã, é pseudo-irmã. Eu não estou de dieta, eu estou em pseudo-dieta. Eu não gosto daquele gajo, eu pseudo-gosto daquele gajo. Vocês parecem super inteligentes a usar esta expressão porque assim todas as vossas asneiras, erros e pontapés na língua nunca serão graves porque o que vocês fizeram é só uma pseudo-asneira, um pseudo-erro, um pseudo-pontapé.

 

Assim, concluo com uma ideia inspiradora: vocês não são parvos, vocês não são tolos. Vocês são pessoas sérias com particularidades que o resto do mundo menos inteligente que vocês não entende. Mas eu percebo-vos, eu estou aqui para vos ajudar. Continuem a falar pior que o resto do mundo que eu não vos deixo sentirem-se sozinhos. Mais vale ser diferente do que normal. Tenho dito.

 

 

Pelos caminhos da vida saudável

amaralrita, 15.05.15

No final de 2014, segui o exemplo de toda a gente e fiz a minha lista de resoluções para o Ano Novo. Meti o costume, claro está, e uma daquelas coisas que passava de ano para ano era a "ficar saudável/fazer exercício/emagrecer". Que cliché, mas é o ano novo, vida nova, certo?

Mas este ano eu estava mais motivada do que os anos anteriores e disse a toda a gente que ia a uma nutricionista. Ficou tudo espantado: "Porque é que vais a uma nutricionista? Não podes fazer dieta sozinha? E se for muito complicado? É que eu não consigo ficar sem comer chocolate! Eu não posso/vou deixar a minha torrada de manhã! Uhh, fiquei curiosa depois conta-me como correu".

 

Marquei a minha consulta em Dezembro, pelo que já sabia que em Janeiro começava a sério, que era para passar o Natal tranquilíssima, a comer tudo a que tinha direito porque já sabia que não ia tornar a ver as rabanadas e os chocolates numa próxima era.

Depois das tretas todas de procedimento habitual (pesar, medir, hábitos alimentares, análises sanguíneas) então lá a nutricionista começou a dar-me o plano base super simples e disse as palavras "pão", "tostas", "arroz", "massa".

Pão ao pequeno-almoço, uma fatia grande, com não sei o quê...esperem eu podia comer pão? Mas só podia comer uma fatia ao pequeno-almoço? Uma fatia de pão ao pequeno-almoço? «E não vou ficar com fome?», não, não vais.

Mas a melhor novidade é que eu não só podia comer pão como podia comer pão duas vezes por dia! Sim, eu podia enfardar pão integral de manhã e à tarde. Tá bem, pode ser, e então as frutas? «Só uma por dia, por agora». Então mas eu ia comer pão duas vezes por dia mas só ia comer fruta uma vez? Mas eu estava a ir para uma dieta ou estava a ver se ficava gorda de novo?

 

Bem se eu posso manter o meu pãozinho de manhã, quer dizer que não vai mudar muito, não deve ser muito complicado - pois claro que não, só tens de mudar para um estilo de vida saudável e isso implica tirar uma nova licenciatura para se dominar novos termos, conceitos, ideias, teorias, horários - com tanta coisa nova e articulação de conhecimentos, a ginástica mental está feita, só falta a outra. Ora vejamos:

 

- É melhor comer do que beber: os sumos detox são muito giros mas dar trincas sacia mais. Se querem comer espinafres, levem na tupperware e comam à folha.

- Cortem na manteiga mas não desistam do queijo light. Às fatias, aos triângulos, uma vez por semana, três vezes por dia, fresco nas saladas, derretido, enfim, tornem-se cheese lovers.

- Ninguém diz açúcar: diz-se sacarose, frutose, glicose.

- Comecem a aprender nomes esquisitos: farelo, quinoa, quak, alfarroba, quinoa, tapioca, abacate.

- Quando se diz "leite", não é Ucal: é leite de soja, amêndoa, avelã, aveia, arroz...esqueçam a vaca.

- Fruta em lata não conta como fruta.

- Fruta desidratada naquelas sacas todas da moda também não (snif snif)

- Starbucks nunca - a não ser que peçam café com leite magro e sem pacote de açúcar. Agora é beber cariocas.

- Gelatina vegetal parece ser ainda mais saudável que a normal...pensava eu!

- Iogurtes de soja são piores que iogurte grego magro...o mundo está doido!

- Se acidentalmente colocar açúcar no café, não mexer, para não se dissolver - isto é só truques!

- Comer cenouras em miniatura como lanche da manhã. Vegetais de manhã. Já disse tudo.

- Enfardar em galetes de milho é o meu salva-vidas quando me apetece devorar meio mundo. Tão boas, tão baratas, tão fáceis de comer e deve engordar tanto como a água.

- Poder comer chocolate preto a toda a hora é das melhores notícias do mundo.

- Ir ao supermercado segue um ritual muito fácil que é pegar num produto, ver o rótulo e voltar a colocar na prateleira.

- Lanchar com as amigas é vê-las a escolherem o croissant de nutella e vocês a comerem o pãozinho de cereais.

- Ir almoçar com a família é comer o peixinho e roubar a salada a toda a gente.

 

E esta lista não está nada acabada, porque só levamos cinco meses disto. Quando chegar a um ano até escrevo um livro, sem sumos detox, prometo.

 

As coisas que eu não devia ter pensado quando cheguei ao Porto

amaralrita, 13.05.15

Vocês já percebem mais ou menos como é que a minha cabeça funciona e os seus pensamentos estranhos. Mas agora vão perceber que ela é verdadeiramente perigosa, numa rubrica que se resume como As-Coisas-Que-a-Rita-Não-Devia-Dizer-Mas-Diz.

Há duas semanas fui ao Porto para passear a sério. Ia aproveitar os dias para conhecer vários locais e então precisava de informações para poder conhecer a cidade e também sobreviver. 

Antes de vos dizer o que disse e não devia ter dito, vocês têm de entender que eu sou uma pessoa muito "inocente". O meu entusiasmo de fazer coisas novas leva o melhor de mim e os meus neurónios deixam de funcionar racionalmente porque nesses momentos eu sou pior que uma criança de 3 anos. Sim, eu fico entusiasmada de ir ao Porto, eu sou modesta e contento-me com pouco, ok?

E nos momentos de começar a fazer coisas novas, o meu cérebro começa a disparar para todos os lados e produz os estranhos resultados.

 

Mal me encontro com os meus amigos que me vão deixar dormir na sua casa pergunto-lhes:

 

- Onde é que se comem francesinhas?

Tipo não é pecado ir ao Porto e não passar o dia a comer francesinhas, eles não vivem só disso.

 

- A Rotunda da Boavista é a Praça de Espanha cá do sítio

Nem está há dez minutos no Porto e já faz comparações com Lisboa

 

- Preciso de tomar o pequeno-almoço, qual é a Padaria Portuguesa mais próxima?

Again, pára com as referências

 

- Caso eu me perca e esteja a morrer de fome, onde é que é o Mac?

Eu NÃO vim para o Porto para comer Mac mas esta pergunta é legítima.

 

- Olha, Pastéis de Nata

Há em todo o lado, sabes?

 

- Os postais aqui são diferentes

Pois nos postais não aparece a Torre de Belém nem o Terreiro do Paço, porque isso é outra cidade...espantoso, não acham?

 

- Há por aqui algum Starbucks?

Juro que achava que havia porque eu não sabia que vivia num mundo em que o Porto não tem Starbucks. Pronto tem o Costa Caffee, é a mesma coisa.

 

 

Eu não tenho culpa, as sinapses são tão rápidas que não dá para lhes por um travão e as minhas cordas vocais parecem pulguinhas excitadas em produzir som a toda a hora e pronto, já não consigo parar a tempo de não dizer as coisas que digo. Se estão com medo, não se preocupem, que o curto circuito dura pouco tempo. E se acham que a minha cabeça esgota ideias, não se preocupem que vai haver muitas mais edições desta rubrica.

 

Vamos aprender a mexer na tecnologia

amaralrita, 11.05.15

Se há coisa que me irrita solenemente são pessoas com menos de 30 anos que não sabem mexer em tecnologia. Pronto, eu sei que nem toda a gente tem de ser mágico da internet e de aplicações digitais mas eu conheço pessoas que escreviam à máquina e fizeram uma licenciatura sem Wikipédia que conseguem desenrascar-se melhor que putos que nasceram com telemóveis no berço.

 

Como assim sempre tiveram um telemóvel mas vêem uma aplicação nova e não sabem mexer? Epá, não insultem a minha inteligência. Isto tudo funciona da mesma maneira: se sabem mexer numa coisa, sabem mexer na outra. Se sabem mexer num programa da Adobe, sabem mexer no resto; se sabem mexer numa aplicação, sabem mexer noutras - nada é complicado.

Mas mesmo assim as pessoas insistem em fazer perguntas: "instalei esta aplicação e não sei mexer, podem ajudar-me?". Podemos, podemos ajudar em tudo, meus lindos, aqui ficam três regras de ouro:

 

A primeira coisa que têm de aprender é que a aplicação não funciona sozinha. Ela só abre se a gente clicar e ela só faz aquilo que a gente quer se MEXERMOS nela. Ficar a olhar para ela à espera que ela faça tudo não funciona. Abram a aplicação, leiam as instruções, abram as secções todas. E se se perderem não se preocupem - há sempre o botão de voltar para trás. 

O mesmo acontece com um programa qualquer: se não sabem lidar com o Photoshop, façam testes, põe, tira, escreve, apaga, insere, corta, cola...ai e se eu estrago tudo? CTRL + Z. É a vossa mãe, o vosso porto de abrigo, o colinho que vos assiste quando vocês se sentem desesperados. Ele está sempre lá, só têm de o utilizar.

 

A segunda coisa que têm de aprender é que há um amigo muito inteligente que vos pode ajudar, que se chama Google. Façam-lhe qualquer pergunta que ele tem mais do que uma resposta. Ele sabe tudo e eu não estou a exagerar. E por amor de deus, se estão à frente de um computador com internet ligada, não perguntem a uma pessoa. Deixem os seres humanos em paz e sossegados na sua ignorância. Há coisas que eu só pergunto a humanos se o Google estiver mudo. Bem-vindos à nova era.

 

A terceira coisa que têm de aprender é que vocês não estão sozinhos no mundo. Outras pessoas já perguntaram o mesmo que vocês e já tiveram respostas positivas. Por isso, meninos que estão em grupos de Facebook, antes de começarem a perguntar coisas como "a que horas abre os serviços académicos?" pensem primeiro em ir ao website da vossa faculdade, depois ver no grupo se alguém já respondeu, perguntar ao ser humano mais próximo, mandar mensagem ao vosso melhor amigo, e se em 10 minutos vocês não obtiverem uma resposta, então ESCREVAM! Não se humilhem perante o vosso cérebro e não destruiam os neurónios dos outros com coisas que não interessam a ninguém. 

 

A frase "ninguém nasce ensinado" é mito. Aprendem uma vez e não é preciso fazer mais perguntas. Ou então peçam ao vosso pai para vos fazer isso - ele pode não saber, mas se tem paciência para vos aturar, também tem paciência para descobrir como mexer num smartphone.

Sexta-feira é todos os dias

amaralrita, 08.05.15

Querem daqueles posts todos inspiradores e piegas sobre a felicidade de ser sexta-feira? Eu dou-vos um, então.

 

PAREM COM ESSA PORCARIA DE "OH MEU DEUS, OBRIGADA, É SEXTA-FEIRA! OH QUE HORROR É SEGUNDA-FEIRA, PORQUE É QUE O FIM-DE-SEMANA SÓ TEM DOIS DIAS, QUEM ME DERA QUE TODOS OS DIAS FOSSEM SEXTA-FEIRA."

 

Para mim todos os dias são sexta-feira, porque todos os dias eu sou fantástica (menos quando chove e o meu cabelo não sabe bem o que fazer),

todos os dias eu estou contente por ter vivido o dia (se vocês fossem eu, vocês iriam sempre estar contentes),

todos os dias eu sei que o dia seguinte vai ser ainda melhor (estou viva, mais um dia para espalhar o meu charme pelo mundo, yes!)

 

Por isso quer acordem às cinco da matina ou ao meio-dia, quer se deitem as sete da tarde ou fiquem nos copos até às tantas, por favor deixem de dar crédito a sexta-feira. Os outros dias também merecem demonstrações de afecto (menos quarta-feira, que não vale a pena) e porque todos os dias são uma desculpa para nos divertirmo-nos, dar abraçinhos à família e aos amigos e tirar fotos embaraçosas para por no Instragram.

 

Portanto deixei-me sair do computador e desligar as tecnologias para aproveitar o pôr-do-sol lisboeta no spot mais  trendy da capital.

E sim, vou para os copos. Sim, vou para os copos porque alguém faz anos. Sim, vou para os copos porque hoje é sexta-feira e não me posso embebedar à quinta. E sim, apesar de eu me contradizer, eu continuo a fazer sentido.

 

Bom fim-de-semana, meus caros.