Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

James Bay

amaralrita, 27.03.15

 

Sabem o que deviam fazer este sábado/domingo/fim-de-semana/quando tiverem tempo livre?

Deviam ouvir James Bay. E se não conhecem, então estão em óptima altura de conhecer, porque o álbum dele acabou de sair e ele vai actuar no Optimus Alive (desculpem, Nos Alive, é a força do hábito) e ele é mesmo muito bom. Um homem, uma guitarra e umas letras e dá uma salada fantástica de músicas. Como uma amiga minha diz, "ele faz música porque gosta de música". E para esta época tecnológica, é o que basta.

THE CLOCK

amaralrita, 27.03.15

Quando se tratam de exposições, concertos, documentários e outros eventos mais culturais de Lisboa, tenho uma fiel amiga que me mantém a par de tudo. Quase todas as semanas ela faz qualquer coisa que não é ir à HM ou a Zara e vê filmes, exposições e documentários interessantes. Como a minha definição de cultura é muito restrita e ler artigos no The Guardin no computador não conta bem como um programa cultural, eu aceito os convites dela e fico sempre satisfeita com a experiência.

Ainda no outro fim-de-semana fomos ver o "THE CLOCK", uma instalação do britânico Christian Marclay que é uma montagem de vídeo de 24 horas em que se contam as horas. Todas as imagens passadas têm um relógio a dizer as horas e as horas estão certas. Todos os segundos e minutos são marcados por qualquer cena de cinema, a cores ou a preto e branco, de 1920 ou de 2010. É só irem ao CCB, entrarem na sala, sentarem-se no sofá e ficarem a ver o trabalhão que deu montar um filme de 24 horas com imagens a mostrarem relógios. E o mais engraçado disto tudo é a experiência de vermos filmes que conhecemos mas que nunca tínhamos notado nos pormenores. 

Eu estive lá uma hora e meia mas não me cansava de ver aquilo. É tão interessante vermos o impacto e a importância que o tempo tem para a espécie humana e vermos que damos-lhe muito pouca importãncia no dia-a-dia. O tempo é como o vento, voa sem nós darmos por isso mas houve alguém que fez questão de lhe dar o devido respeito.

Está em cena no Museu Coleção Berardo até ao dia 19 de Abril. Não percam mais tempo.

Vamos falar a sério - One Direction

amaralrita, 26.03.15

Fotografia: Getty Images

 

Qualquer um de nós já foi adolescente e sabe bem o que são os chamados "ataques". O bonzão da turma ter aceite o nosso pedido de amizade no Facebook/Twitter é como ganhar a guerra e não ser convidada para aquela saída à noite é suicidio social. Tudo em excesso e se não fosse dessa forma ninguém era adolescente.

E esse excesso está a deixar os adultos e os pais malucos, porque não percebem os gritos e choros incontroláveis que se vêem na internet porque um rapaz qualquer de uma boyband desistiu sair da banda. Mas ele morreu? Não, só saiu da banda mais famosa do mundo. Mas se ele não morreu, porquê o choro todo? Mas isto agora já não há adolescentes normais? Vão agora chorar por um puto rico que quer ter uma vida normal?

Os adolescente são assim mesmo, com as paixões fortes e se a paixão tem a ver com uma boyband de cinco rapazes jeitosos então o mundo pára. Podemos argumentar se a idolatria é válida ou não por causa de toda a máquina pop que sustenta a carreira meteórica e milionária destes jovens mas a questão não é essa.

A verdade é que isto já aconteceu no passado mas não havia redes sociais para servirem de testemunho do desespero adolescente: as Spice Girls e os Backstreet Boys são os mais recentes exemplos do mundo pop que sofreram a partida de um membro e que viram o seu futuro em águas de bacalhau. Até podemos evocar nos anos 1990 a morte de Kurt Cobain, pois apesar de fazer parte de uma realidade musical diferente, também movia as mesmas paixões e fez com que milhares de adolescentes se deprimissem nos meses seguintes. 

O verdadeiro cerne da questão não é perguntar se estas adolescentes são normais ou não: ser adolescente é por definição não ser normal e todos nós já tivemos nesse lugar. A questão tem a ver exactamente com o fim do mundo construído pelo adolescente, o mundo que foi abalado quando Zayn Malik abandonou os One Direction.

Quando somos adolescentes, o mundo real é cruel e frio: os nossos pais não nos compreendem, os nossos professores cortam-nos a criatividade e a nossa melhor amiga é capaz de andar com a nossa paixoneta secreta e não ver nenhum problema nisso. E muitos jovens refugiam-se na música tornando-a no seu porto seguro. Agarram-se às letras que traduzem os seus sentimenos, querem conhecer e amar as pessoas que cantam os seus pensamentos e transmitem a sua adoração através de t-shirts, cds, pulseiras, tatuagens. Quando o mundo real não nos compreende, a música está lá sempre para nós - como amante de música e pós-adolescente, eu sei que a música nunca me abandona e nunca me irá desiludir. Até ao dia.

Um acontecimento deste tipo que ocorre a uma banda com uma base de fãs extremamente leal abala as fundações temporárias do adolescente. Foi o jovem Malik que rompeu com o sonho e mostrou a imensos jovens que o mundo imaginário que construiram e que visitam sempre que precisam não existe. Os nossos ídolos são humanos e eles podem escolher não serem mais nossos ídolos. Eles abandonam-nos, eles não querem saber de nós, eles não querem continuar a dar-nos alegrias. Será que este pensamento é racional? Será esta uma situação de abandono? Certamente que não, mas para um adolescente o abandono existe, é real e dói como o caralho. É a primeira desilusão da vida e ela tinha de acontecer, mais cedo ou mais tarde.

Estas coisas chateiam, frustram e deprimem uma pesoa. O nosso único refúgio perdeu-se e já não temos âncora. Mas como qualquer coração partido, qualquer adolescente vai crescer e ultrapassar a desilusão. Como um primeiro amor ou uma primeira paixão, ela não será esquecida mas novos interesses e paixões vão fazer-nos continuar a vida e um dia o sol irá brilhar outra vez. Mas por agora a comunidade adolescente está de luto - e por isso vamos respeitar o seu tempo. 

Belém

amaralrita, 25.03.15

Belém, Belém, Belém - haja alguém que não gosta de Belém?

Eu às vezes fico um pouco farta de Lisboa mas quando começaram a vir aqueles dias de sol uma pessoa até faz o esforço de sair de casa e fazer a fotossíntese, porque a pele bem que precisa de vitamina D.

E claro está que se está sol a um sábado à tarde, todo o mundo vai para os jardns de belém brincar com o filho, a filha, a irmã, o cão, a avó, o primo. Céu azul, relva verde e os pastéis e o Macdonalds mesmo ali à mão de semear. E ainda dizem que não há o paraíso em Terra.

 

jer

IMG_0455

IMG_0448

IMG_0459 IMG_0464 IMG_0472 IMG_0474

Finalmente um bom livro

amaralrita, 25.03.15

Aos anos que eu andava para ler este livro!

É daqueles livros que uma pessoa encontra numa revista qualquer; é aquele livro que se memoriza «ah e tal é aquele livro com aquela história», é aquele livro que se passa por ele trinta vezes na Fnac e lembra-se que tem de o ler, é aquele livro que nos esquecemos de procurar quando à promoções de livros online. Ou então é aquele livro que vemos na prateleira de livros de uma amiga e dizemos «tens este livro? quero lê-lo há séculos, posso levar?». E depois de levarmos para casa, ele passa a ser o livro que nos esquecemos completamente que existe, até que nos lembramos que queremos ler alguma coisa e vamos procurá-lo. E é aquele livro que finalmente queremos ler e fazemos o esforço de desligar as tecnologias mais cedo só para apreciar aqueles dois capítulos ao final do dia.

IMG_20150324_223629.jpg

O Clube de Cinema: Um pai, um filho, três filmes por semana, de David Gilmour, 2011

 

Os primeiros três foram de uma acentada ontem à noite e vamos continuar para o resto da semana. E sim, vou ler o livro e ver os filmes de que falam - é o começo de uma experiência.