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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

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Vamos falar a sério - One Direction

Fotografia: Getty Images

 

Qualquer um de nós já foi adolescente e sabe bem o que são os chamados "ataques". O bonzão da turma ter aceite o nosso pedido de amizade no Facebook/Twitter é como ganhar a guerra e não ser convidada para aquela saída à noite é suicidio social. Tudo em excesso e se não fosse dessa forma ninguém era adolescente.

E esse excesso está a deixar os adultos e os pais malucos, porque não percebem os gritos e choros incontroláveis que se vêem na internet porque um rapaz qualquer de uma boyband desistiu sair da banda. Mas ele morreu? Não, só saiu da banda mais famosa do mundo. Mas se ele não morreu, porquê o choro todo? Mas isto agora já não há adolescentes normais? Vão agora chorar por um puto rico que quer ter uma vida normal?

Os adolescente são assim mesmo, com as paixões fortes e se a paixão tem a ver com uma boyband de cinco rapazes jeitosos então o mundo pára. Podemos argumentar se a idolatria é válida ou não por causa de toda a máquina pop que sustenta a carreira meteórica e milionária destes jovens mas a questão não é essa.

A verdade é que isto já aconteceu no passado mas não havia redes sociais para servirem de testemunho do desespero adolescente: as Spice Girls e os Backstreet Boys são os mais recentes exemplos do mundo pop que sofreram a partida de um membro e que viram o seu futuro em águas de bacalhau. Até podemos evocar nos anos 1990 a morte de Kurt Cobain, pois apesar de fazer parte de uma realidade musical diferente, também movia as mesmas paixões e fez com que milhares de adolescentes se deprimissem nos meses seguintes. 

O verdadeiro cerne da questão não é perguntar se estas adolescentes são normais ou não: ser adolescente é por definição não ser normal e todos nós já tivemos nesse lugar. A questão tem a ver exactamente com o fim do mundo construído pelo adolescente, o mundo que foi abalado quando Zayn Malik abandonou os One Direction.

Quando somos adolescentes, o mundo real é cruel e frio: os nossos pais não nos compreendem, os nossos professores cortam-nos a criatividade e a nossa melhor amiga é capaz de andar com a nossa paixoneta secreta e não ver nenhum problema nisso. E muitos jovens refugiam-se na música tornando-a no seu porto seguro. Agarram-se às letras que traduzem os seus sentimenos, querem conhecer e amar as pessoas que cantam os seus pensamentos e transmitem a sua adoração através de t-shirts, cds, pulseiras, tatuagens. Quando o mundo real não nos compreende, a música está lá sempre para nós - como amante de música e pós-adolescente, eu sei que a música nunca me abandona e nunca me irá desiludir. Até ao dia.

Um acontecimento deste tipo que ocorre a uma banda com uma base de fãs extremamente leal abala as fundações temporárias do adolescente. Foi o jovem Malik que rompeu com o sonho e mostrou a imensos jovens que o mundo imaginário que construiram e que visitam sempre que precisam não existe. Os nossos ídolos são humanos e eles podem escolher não serem mais nossos ídolos. Eles abandonam-nos, eles não querem saber de nós, eles não querem continuar a dar-nos alegrias. Será que este pensamento é racional? Será esta uma situação de abandono? Certamente que não, mas para um adolescente o abandono existe, é real e dói como o caralho. É a primeira desilusão da vida e ela tinha de acontecer, mais cedo ou mais tarde.

Estas coisas chateiam, frustram e deprimem uma pesoa. O nosso único refúgio perdeu-se e já não temos âncora. Mas como qualquer coração partido, qualquer adolescente vai crescer e ultrapassar a desilusão. Como um primeiro amor ou uma primeira paixão, ela não será esquecida mas novos interesses e paixões vão fazer-nos continuar a vida e um dia o sol irá brilhar outra vez. Mas por agora a comunidade adolescente está de luto - e por isso vamos respeitar o seu tempo. 

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