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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

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Uma Ode às Amigas

Ter uma amiga é uma coisa. Ter uma melhor amiga é outra. E ter trezentas melhores amigas é que não aconselho a ninguém porque dão-me cabo da cabeça. Mas eu tenho-as muito em conta porque elas têm a maior virtude de todas neste mundo, que é aturar-me. Claro que fazem de bom grado e entusiasmo porque adoram a minha companhia mas admito que às vezes deve-lhes apetecer atirar-me para o rio Tejo com as coisas parvas que digo e faço. Enfim, não há relações perfeitas.

 

Ter melhores amigas é algo que só as mulheres percebem. As amizades entre homens são uma cena muito descontraída, fácil e sempre sincera e eles não percebem como é que andamos à chapada num minuto e no outro já estamos a pedir roupa emprestada umas às outras. Sorry, amigos, mas quando a vossa namorada e a amiga se zangam, não tentem ser o mediador da coisa, porque lá está, vocês não percebem nada disto.

 

Uma amizade entre mulheres é uma aventura todos os dias. As amigas marcam café contigo nos piores dias e nas piores horas e quando reclamas mandam-te à merda: "olha tenho lá culpa que andes na má vida. Vens hoje, bebes uma caipirinha e voltas à hora que eu quiser, se não vais a pé".

 

As amigas arrastam-te para aquele novo ginásio, vão contigo uma semana e depois ligam-te a dizer que podem ir tomar café depois da aula de Zumba, que ela esqueceu de avisar que não ia 5 minutos antes de a aula começar:

Eu: "Olha, agora é que me ligas?"

"Desculpa não consegui, como foi a aula?"
"Achas que eu fui? Fiz dez minutos de passadeira e fui-me embora". Solidariedade com aqueles que falham, sempre.

 

As amigas saem à noite contigo, aturam-te bêbada (ou tu aturas), agarram-te no cabelo quando achas que estás naquele momento e começam a elaborar um plano para te deixarem no canto de um bar qualquer e irem à vidinha delas. Quando tu estás mesmo mal e já não há escapatória possível, começam a acreditar em Deus e a rezar que tu não tenhas outro ataque no carro.

 

As amigas dizem que vão começar a fazer dieta e que precisam de companhia, mas todos os dias convidam-te para ir jantar ao Honorato do Mercado da Ribeira. É que o molho de batatas fritas é tão bom, amanhã ficamos duas horas no ginásio (a fazer a aula de zumba, né?)

 

As amigas dizem para irmos à Primark todos os fins-de-semana mas depois não querem experimentar nada ou experimentam cinquenta coisas e não levam nada. Mas depois eu levo porrada por ir às compras: "ah sua pega, onde é que compraste aquela mala? Vê lá se me chamaste. Vais-me emprestar isso no jantar de sábado". (ah, suas pegas, reclamam de tudo mas depois fazem choradinho para pedir emprestado, suas falsas).

 

As amigas acham-se no poder de decidir a tua vida sentimental: "Oh, ele até nem é feio. É mais giro que o teu ex, mas isso também não é difícil. Então e o outro não disse mais nada? Caga nele, que esse deve arranjar uma amiga todas as semanas. Ah e viste que aquele que conheceste na semana académica do ano passado meteu Like no teu Instagram? Ui esse quer festa, de certeza. Epá, tens de arranjar alguém, manda mensagem a este e marca um café". Conclusão, não contem nada às amigas.

 

Mas lá no fundo, é tão bom ter amigas pelos momentos mais estúpidos que passas com elas: a cantar coisas no meio da rua, a ligar em desespero a perguntar o que vai levar vestido para sair à noite, a fazer concursos a ver quem fica mais bronzeada, a trocar roupas para experimentar numa ida às compras, a fazer apostas parvas numa noite de copos. 

Ainda ontem disseram-me uma coisa que ando a reparar todos os dias: "tens boas amigas". Não são boas amigas, são as melhores.