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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Os homens não são todos iguais

Esta é a história que prova que os homens não são todos iguais - ah e também é a história do Francisco:

 

Isto aconteceu há uns anos atrás, estava na faculade, no refeitório, a ler uns textos no meu tablet. Ia para uma conferência às 18h e tinha chegado cedo para estudar antes. E li tudo o que tinha para ler e quando olhei para o relógio, eram 17h. Poças, ainda falta uma hora, o que é que eu vou fazer?

Uns dois minutos depois, vejo uns rapazes a levantarem-se de uma mesa próxima a prepararem-se para ir embora. Eu voltei a brincar com o tablet e alguém me chama:

- Desculpa, está aqui alguém?

- Não, é na boa.

- Posso-me sentar?

Um rapaz com uma tshirt vermelha a dizer "eu não tenho facebook" senta-se do outro lado da mesa mas perto de mim. O resto da mesa estava completamente vazio mas ele sentou-se ao pé de mim.

- Olá, eu sou o Francisco.

- Olá, Francisco.

- Então tudo bem? Que estás a ler?

- Estava a ler mas agora já acabei.

- És de que curso?

 

Em qualquer outra parte do planeta, qualquer outra mulher teria mandado o moço ir dar uma volta e não aturaria "aquele" chato. Mas apeteceu-me testá-lo, apeteceu-me ver até onde ia a conversa dele e fui na conversa e comecei a responder às suas perguntas.

E assim começou uma longa conversa de duas horas. O Francisco fazia muitas perguntas, eu respondia e perguntava logo de seguida o mesmo. Foi uma conversa de tudo e nada e uma conversa super natural:

- Não acredito que estou a falar contigo - ele disse-me

- Porque dizes isso?

- Porque eu hoje decidi que ia falar contigo mas não sabia se ias falar comigo.

- Mas decidiste vir falar comigo assim do nada?

- Não, eu já te tinha visto umas vezes aqui na faculdade.

- A sério?

- Sim, vi-te no outro dia e depois há dois dias atrás estavas com um casaco branco. Eu vi-te, achei-te muito gira, e olha hoje vi-te sozinha e decidi vir falar contigo. Ou era hoje ou não era.

- Uau.

- Deves-me achar ridículo.

- Não, por acaso acho muito bacano.

- A sério?

- Sim, quantos gajos é que vêem uma gaja que acham gira e vão lá falar com ela? Isso é ter coragem.

- Fogo, se soubesse que ias dizer isso, já te tinha ido falar há bué.

- Mas só soubeste isso quando me vieste falar não é?

 

E lá tivémos uma conversa em que falámos de tudo, da vida dele, da minha vida, de música, dos AC/DC, de religião, bem de tudo e mais alguma coisa. Acabámos a nossa discussão a falar de aborto e eu já atrasada para a conferência.

 

Isto aconteceu uma vez na vida, por isso agora não vão para aí dizer que eu dou conversa a toda a gente, não é? É apenas uma história engraçada que por acaso aconteceu e que vou contar aos netos e da qual me vou sempre rir. Porque é que falei com ele? Não sei, apeteceu-me, queria falar com pessoas, queria entreter-me, estava inspirada, estava bem disposta, apeteceu-me. E foi uma óptima grande conversa, foi uma boa hora passada. E foi daqueles momentos que ficam para a história. Porque é daquelas histórias que contado ninguém acredita.

 

E ficou-me também uma lição para a vida: os homens às vezes não falam com mulheres porque têm medo da rejeição. Os homens também têm medo de levar tampas! Mas para homens e mulheres, aqui fica o conselho: se nunca tentarem falar com o gajo giro ou com a gaja boazona, nunca vão saber se poderiam ter passado duas belas horas a falar com um desconhecido simpático. E para as desconfiadas que acham que os homens só querem cama, acreditem que os homens não são todos iguais: a dificuldade está em apanhá-los num momento de inspiração e que se dêem a conhecer. E isso acontece num dia, por acaso. Por isso, "esperem" por esse dia, meus caros, um dia isso vai acontecer. E no entretanto riam-se dos falhados que metem conversa com vocês, porque esses dão ainda mais histórias.

O meu novo cabide

É daqueles episódios em que discordam de mim e depois vai-se a ver e tenho razão - e esse é um dos momentos mais felizes da minha vida.

 

É preciso comprar um novo armário para o quarto porque uma pessoa cresce e precisa de espaço para por a roupa. Eu sempre disse «vamos comprar um daqueles cabides com rodas que existem nas lojas, assim é só ter a roupa à mostra e utilizamos tudo à mesma».

 

Mas nunca me ligaram, nunca quiseram saber da minha ideia, preferiam gastar horas no website do IKEA a ver soluções quadradas, de madeira, armários grostescos que nada de moderno tem.

Eu queria algo fresco, simples, económico. Mas ninguém me ouviu.

Até que o armário pifou. O corrimão onde se prendia a roupa caiu com o peso. E foi assim, de repente, num domingo à noite.

 

Pronto e agora temos quilos de roupa para pendurar e as coisas não podem ficar assim.

O que se faz então?

Vai-se ao espaço casa comprar um cabide...o cabide que a Rita sempre disse que era melhor comprar...o cabide que é prático e barato.

É SÓ UMA SOLUÇÃO TEMPORÁRIA, disseram, porque o armário do IKEA ia ser comprado. Aquilo não era a solução para o problema do armário.

 

Mas eu já não queria ligar. Montaram aquilo no meu quarto e eu não quero outra coisa. Namoro-o todos os dias que olho para a minha roupa. É lindo, é perfeito, é da moda, é de cinema, é de parecer que entro no quarto e estou no armário privado da Vogue, é parecer que tenho mais roupa do que o normal, é parecer que estou na loja de roupa a comprar coisas, é parecer que até tenho roupa de jeito.

 

Isto já dura há duas semanas e no outro dia, ao deitar, tive a realização dos meus sonhos. «Olha, tinhas razão, foi uma boa compra. Isto até dá jeito».

 

Por isso aqui fica o meu conselho para todas as mulheres: lixem o armário e comprem uma coisa destas, que não há coisa mais linda do mundo.

 

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