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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

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O meu novo cabide

É daqueles episódios em que discordam de mim e depois vai-se a ver e tenho razão - e esse é um dos momentos mais felizes da minha vida.

 

É preciso comprar um novo armário para o quarto porque uma pessoa cresce e precisa de espaço para por a roupa. Eu sempre disse «vamos comprar um daqueles cabides com rodas que existem nas lojas, assim é só ter a roupa à mostra e utilizamos tudo à mesma».

 

Mas nunca me ligaram, nunca quiseram saber da minha ideia, preferiam gastar horas no website do IKEA a ver soluções quadradas, de madeira, armários grostescos que nada de moderno tem.

Eu queria algo fresco, simples, económico. Mas ninguém me ouviu.

Até que o armário pifou. O corrimão onde se prendia a roupa caiu com o peso. E foi assim, de repente, num domingo à noite.

 

Pronto e agora temos quilos de roupa para pendurar e as coisas não podem ficar assim.

O que se faz então?

Vai-se ao espaço casa comprar um cabide...o cabide que a Rita sempre disse que era melhor comprar...o cabide que é prático e barato.

É SÓ UMA SOLUÇÃO TEMPORÁRIA, disseram, porque o armário do IKEA ia ser comprado. Aquilo não era a solução para o problema do armário.

 

Mas eu já não queria ligar. Montaram aquilo no meu quarto e eu não quero outra coisa. Namoro-o todos os dias que olho para a minha roupa. É lindo, é perfeito, é da moda, é de cinema, é de parecer que entro no quarto e estou no armário privado da Vogue, é parecer que tenho mais roupa do que o normal, é parecer que estou na loja de roupa a comprar coisas, é parecer que até tenho roupa de jeito.

 

Isto já dura há duas semanas e no outro dia, ao deitar, tive a realização dos meus sonhos. «Olha, tinhas razão, foi uma boa compra. Isto até dá jeito».

 

Por isso aqui fica o meu conselho para todas as mulheres: lixem o armário e comprem uma coisa destas, que não há coisa mais linda do mundo.

 

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Saldos

Hoje é dia 29 de Junho e já recebi uns três ou quatro emails a anunciar os Saldos de Verão e as lojas já estão todas equipadas para a selva que vem aí. Sim estamos em Junho ainda e já há saldos há mais de uma semana.

 

Há apenas três coisas que vou dizer sobre este assunto:

 

1. No meu tempo os Saldos só começavam dia 15 de Julho. Depois passaram a começar oficialmente dia 15 de Julho, porque como ficámos um bocadinho mais pobres, as pessoas precisavam de uns trapozinhos para irem para o Algarve no final de Junho - e foi assim que apareceram as promoções. O povo ficava doido mas a pura da loucura só começava mesmo com os Saldos oficiais, em que toda a loja se rendia a um espectáculo de feras de fazer inveja ao Cardinali.

Agora já não há datas oficiais de nada, os Saldos é quando as marcas quiserem escoar produto, para chegarmos a Agosto e já haver aquele cantinho a dizer "Nova Colecção", que é nem colecção Meia Estação nem é Colecção Outuno, é apenas um par de peças novas para incentivar o consumo.

 

2. O facto de os Saldos começarem bastante mais cedo só mostra que nós estamos pobrezinhos, desesperados por comprar tudo e não pagar nada por isso. O povo é chique, gosta de andar sempre bem arranjado e não podemos dizer aos amigos e à família que adiem os casamentos, baptizados e despedidas de solteiras só porque aquele vestido lindo de morrer ainda não custa menos de 100 euros. E além disso, o povo está cada vez mais exigente, desde quando é que já se viu uma camisa branca da Primark custar 13 euros? Devia ser seis euros e já é caro. Biquinis a 20 euros? Devia ser três euros a parte de cima e a debaixo um euro e vinte cinco cêntimos.

 

3. Os Saldos começaram mais cedo. Eu não estou preparada para isto. Nem eu nem a minha carteira. Queríamos manter-nos sóbrias por mais uns dias mas está difícil não cair na tentação.

 

Só uma última reflexão: porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê? porquê?