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Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

Agora a Sério

Um local sério para se falar das coisas sérias de todos os dias. Só para pessoas que se levam muito a sério.

O Síndrome das Quatro da Manhã

Todo o ser humano lida com o sono e cada um de nós tem a sua relação com ele.

 

Em crianças não gostamos de dormir, o mundo é demasiado interessante para pararmos 8 horas para descansar. Quando somos adolescentes, ainda pior, dormimos o suficiente para a próxima bebedeira. E em adultos percebemos que a nossa caminha é o sítio mais bonito do mundo, que coloca qualquer praia das Maldivas a um canto. Enroscarmo-nos no endredón num dia de inverno é como chegar ao paraíso. Isso e quando viramos a almofada para ficarmos com a cara fresca. E quando estamos fora uma semana e a cama do hotel era boa mas não tinha aquele aconchego? Aaaaah tão bom!

 

Eu amo a minha cama mas ultimamente não nos temos dado muito bem. Já estamos naquela altura do ano em que nos vemos menos vezes, eu encontro-me com ela tarde e a más horas, e levanto-me logo sem lhe dar beijinhos e abraços. Mas se noutros tempos ela calava-se e não reclamava, agora faz-me a vida negra da pior maneira.

Não sei bem porquê mas todos os dias acordo as quatro da manhã para ver as horas. Posso-me ter deitado à uma da manhã, às onze da noite, posso estar a morrer de cansaço ou sem sono nenhum mas não falha: todos os dias, parece que tenho um chamamento divino, acordo, abro os olhos, vejo as horas, percebo que é demasiado cedo e volto a dormir. Mas quando eu digo acordar é mesmo acordar, olho aberto lindo e estusiasmado para começar o dia.

 

E o que mais me irrita nesta história toda é porquê as quatro da manhã? Não podia ser tipo à uma ou às três? Porque não dez minutos antes do alarme? Quatro da manhã é tão sem sentido. Nem é carne, nem é peixe, nem tofu, nem soja, nem nada. É que é aquela hora que ninguém liga mas o meu cérebro tem uma paixão louca por ela. Enfim, qualquer coisa já sabem: se querem desabafar, às quatro da matina estou super disponível.

Vamos lá perceber o tomate da coisa

Isto só me acontece a mim, mas eu adoro que aconteça porque assim conto-vos e podemos matar o mundo em colectivo.

 

Outro dia estava eu (qualquer história contada por um português começa assim) a fazer scroll no LinkedIn quando encontro esta frase inspiradora:

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Eu pensei: "TAU, grande frase, muito bem explicada, aquela ideia simples mas eficaz que toda a gente fica a perceber. Nem é daquelas frases meio lamechas, meio parvas, que só apetece suspirar pelas alminhas que as postam de cinco em cinco minutos no Instagram. Não, isto é uma frase a sério para pessoas com cabeçinha. Fantástico vou guardá-la."

 

Até que vejo os comentários e aparece mais uma frase escrita por alguém que tem toda uma luz divina a iluminar-lhe a aura todos os dias: "Botanicamente o tomate é um fruto porque tem isto e assado e é menos doce que a fruta e por isso é que é usado em saladas normais".

 

Mas porquê? Porque é que temos de estragar a magia da coisa? Porque é que tinham de mandar aquele comentário inteligente? Até uma smiley face era mais inteligente. Qual é o problema de se manterem no contexto? Qual é o problema de perceberem que isto nada tem a ver com tomates? Porque é que no meio desta frase toda o que as pessoas discutem é os tomates? Eu viro toda Dexter com estas coisas porque devia haver uma disciplina na primária entitulada "Boas Práticas nas Rede Sociais", principalmente o módulo "Comentários: quando, onde e porquê".

 

Ainda bem que estamos a chegar ao Verão que é para ir para a praia e não ter de aturar estas coisas.

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